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Entre a Mesmice e a Fuga do Mesmo

Nonada, foi escrito por Santaum no dia 35 de Confusão de 3174 YOLD às 3:62:48

Presque Pensitivo
Creative Commons License photo credit: Rev. Beraldo

Existe algo na minha vida que me intriga bastante. Esse algo é justamente este paradoxo entre a mesmice e a fuga do mesmo na minha vida. O que me deixa mais satisfeito? A mesmice ou justamente o ato de escapar dela?

A mesmice me parece que é uma fuga que a nossa vida intuitivamente nos propõe a fugir da dor, da derrota e da frustração. Nos dá uma sensação de conforto instantâneo, alívio e de certa forma nos conduz a atitudes iguais às dos outros. É um sentimento rebanhado, de uma maioria que faz parte de um enorme grupo que naturalmente sempre está à nossa volta. Pode soar estranho, mas subentende-se que essa enorme maioria geralmente é feliz. Entretanto, seria essa uma felicidade de capa, de superfície, uma embalagem que mascara aquele verdadeiro sentimento que um espírito livre é capaz de proporcionar.

O grupo oposto é composto de pessoas que são contra essas posturas mesmas e iguais às dos outros. São uma pequena minoria. São pessoas fisicamente iguais às outras, porém elaboram em si pensamentos universais completamente diferentes daqueles que vieram de uma mesmice. São questionadores, sempre interrogam tudo que está em sua volta e sempre tendem a buscar a sua verdade absoluta. Às vezes não, evidentemente, contanto que não se pode deixar de adjetivá-los como criaturas humanas que refletem pensamentos em torno de si e em sua volta, que buscam um norte no seu dia-a-dia e ficam intrigados com as coisas tais como efetivamente são. Dá a entender que esse grupo se frustra mais e ao mesmo tempo fica revoltado e insatisfeito com as situações naturais que são deparadas no decorrer da sua vida. A pessoa desse grupo sempre se intriga em várias situações pelas quais a mesmice se manifesta e muitas vezes pode sofrer bastante com isso, por se tratar de uma minoria. Talvez não, pelo fato de se achar diferente e também por acreditar veementemente naquilo que o incomoda. E, para muitos desses poucos, essa pode ser uma felicidade interior e verdadeira.


Creative Commons License photo credit: el Buho nº30

Fico questionando qual o caminho que eu devo tomar, ao observar que tenho vários conhecidos que sequer se questionam sobre si mesmos. De conhecidos que, quando começo a comentar sobre assuntos do tipo, sequer começam a discutir algo parecido e encerram-me dizendo que eu estou viajando. Será, portanto, que não faço parte do grupo arrebanhado e fico intrigado como poucos acerca dessas questões reflexivas e existenciais? Seria isso um problema?

Para os mesmos, isso é um problema. Ainda mais quando se trata do atual, do hoje em dia. Para os mesmos, compensa mais ser igual aos outros e buscar na sua unidade algo plural e coletivo, para que os desvios da sua mesmice sejam mascarados. Para os mesmos, vale a pena buscar um modelo global para que ele se frustre menos e o outro não perceba a sua fraqueza natural e interior. Até para ele “mesmo” a sua maneira plural de viver lhe cai muito bem pelo fato de omitir algumas frustrações no seu pensamento interior e na sua unidade. Parece que essa sensação pode deixar em si um falso conforto, uma falsa alegria e uma falsa comodidade momentânea que não o faz se distinguir dos outros. Para os mesmos, isso seria, portanto, uma válvula de escape.

É, portanto, uma sensação frustrante e malograda os bem-aventurados que procuram questionar a sua existência e tudo que está em sua volta? Talvez a resposta seria sim. Mas não completamente um sim. Seria um sim com uma cara de não. Intuitivamente, este sim poderia ser um não ou nenhum dos dois, ou os dois ao mesmo tempo. O que interessa é que essas sensações ficariam mais claras, verdadeiras, como também o oposto delas. Não se criaria a partir daí uma máscara, uma capa, algo superficial. Os sentimentos seriam unânimes e verdadeiros. Viriam do seu interior. E essas sensações são fantásticas.

Mas até que ponto vale a pena expor em si estes sentimentos verdadeiros? Seria demasiado satisfatório para mim o simples fato de assumir verdadeiramente meus sentimentos ao invés de mascará-los?

Apesar desse paradoxo, todos já sabem a minha resposta.


Creative Commons License photo credit: Swami Stream

Texto original no Nada Pensitivo!.

Grande abraço a todos.

Categoria: Presque Pensitivo


9 Comentários

Hã? Nonada, comentado por Rev. BeraldoNo Gravatar

Feito no dia 35 de Confusão de 3174 YOLD às 3:95:01

Às vezes a mesmice era tudo o que eu queria.

Hã? Nonada, comentado por Evandro CesarNo Gravatar

Feito no dia 35 de Confusão de 3174 YOLD às 4:49:95

Cara! Que texto, nem sei o que falar, estou escrevendo aqui para lhe dizer que nem sei… questões difíceis, muito difíceis!

Hã? Nonada, comentado por Darto"No Gravatar

Feito no dia 35 de Confusão de 3174 YOLD às 5:37:50

Grande questão Santaum!!!!!
Mais uma excelente pauta!
Minha opinião é, provavelmente, parecida com a sua:
algumas pessoas realmente se escondem no modus operandi da multidão em busca da ‘felicidade’ e na fuga da decepção, como a confluência de zebras que confunde o leão com suas listras;
o interessante é que se as zebras se encaminharem para um lugar com muitos leões, cedo ou tarde todas perecerão;
um dia acompanhamos as zebras;
alguns começam a pensar se todas aquelas zebras estão indo para o lugar mais apropriado;
uns decidem que podem achar um lugar melhor indo por outro caminho;
outros decidem que o lugar melhor é exatamente o oposto daquele que é o destino das zebras;
alguns, quando começam a questionar a escolha das zebras, pensam: “Ah, pra que pensar nessas besteiras? Isso é coisa de desocupado…deixa eu prestar atenção no nosso caminho.”;
o legal é que aqueles que decidiram tomar o caminho inverso se reúnem, e em algum estágio seguem esse caminho só por ser o contrário do original;
aqueles que decidiram que pode haver um caminho diferente, mas não necessariamente oposto, e talvez não necessariamente diferente, se tornam mais livres;
mais livres, na minha humilde opinião, é melhor…..nos permite corrigir a direção quando bem entendermos;
essa escolha se torna mais interessante ainda se pensarmos que o caminho para a “felicidade” pode mudar;
e quase inevitável quando se pensa que o próprio destino “felicidade” pode mudar de lugar, embora permanecendo “felicidade”.

E eu acho extremamente interessante um sim com cara de não, o inverso, os dois ao mesmo tempo, nenhum dos dois ou qualquer combinação destes.
Afinal, numa análise mais criteriosa, todos os ’sins e ‘nãos’ têm um pouco disso, né?

Abraço!

Hã? Nonada, comentado por Riovaldo R. TertulianoNo Gravatar

Feito no dia 35 de Confusão de 3174 YOLD às 7:96:99

Buenísima redacción. Solamente no compreendí nada.

Además, pienso que lo mismo puede ser yo.

Merci et au revoir.

Hã? Nonada, comentado por SantaumNo Gravatar

Feito no dia 36 de Confusão de 3174 YOLD às 4:67:12

Beraldo, eu também.

Evandro, também não sei, hehehehehehe. Mas obrigado de qualquer forma.

Darto”, está cada dia mais discordiano. Obrigado pelo seu comentário que acrescentou muito à postagem.

Riovaldo R. Tertuliano, concordo contigo.

Grande abraço a todos.

Hã? Nonada, comentado por ThaiSNo Gravatar

Feito no dia 36 de Confusão de 3174 YOLD às 9:54:70

pois entaum…

Boa noite.

como disse lá, qdo estava falando sozinha pela segunda vez…
agora nao vai dar pra ler, mas salvei e vou ler sim. Realmente concordo com varias coisas q vc escreveu.
alias, devia estar comentando no outro post… mas deixa pra la; preguiça.

Hã? Nonada, comentado por Darto"No Gravatar

Feito no dia 37 de Confusão de 3174 YOLD às 0:35:51

Hehehehehe, obrigado Santaum!
Hoje meu professor me chamou de Timóteo, hehehehehe
Abraço!

Hã? Nonada, comentado por Riovaldo R. TertulianoNo Gravatar

Feito no dia 37 de Confusão de 3174 YOLD às 7:84:87

Santóne,

Gracias por informarme lo que pasa a respecto del uso del oil.

Merci et au revoir.

Hã? Nonada, comentado por SantaumNo Gravatar

Feito no dia 38 de Confusão de 3174 YOLD às 0:45:25

De nada Riovaldo, lembrando que não é este post que fala de petróleo, e sim o próximo.

Grande abraço.

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