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Meninas do nosso Brasil

Nonada, foi escrito por Santaum no dia 36 de Burocracia de 3173 YOLD às 6:36:81

Cotidiano
Creative Commons License photo credit: Rev. Beraldo

Retrato de duas meninas do meu Brasil.

C. F. S., 23 anos.

Meu pai é gringo, nasceu na França.
Fui sequestrada quando tinha 14 anos.
Fui morar nos Estados Unidos depois desse evento.
Fiz o equivalente ao segundo grau no Brasil.
Depois entrei na faculdade. Estudei no MIT. Me formei em engenharia química.
No meio desse ano terminei meu MBA em Toronto, no Canadá. Mesmo sem experiência, eu resolvi fazer.
Desde o meio do ano estou morando em São Paulo, capital, minha terra natal.
Quase não vejo meus pais. Meu pai é presidente de uma multinacional. Minha mãe é médica empresária.
Sou filha única. Me visto que nem uma paty. Gosto de usar roupas pequenas, da moda.
Tenho 5 computadores na minha casa. Gosto mais de usar o meu Macbook (tenho 2).
Estou arrumando emprego agora.
Falo inglês como um estadunidense qualquer, com sotaque de nativo. Afinal, morei lá desde quando tinha 15 anos.
Já fui a vários países, acho que mais ou menos uns 30. O que eu mais visitei foi a França, pois meus avós moram lá.
Moro numa casa. Não vou falar onde fica, tenho traumas passados. Tenho 4 pitbulls e 2 rottweilers.
Falo 5 línguas, fora o português e inglês. Espanhol, francês, alemão, esperanto e japonês.
Tenho 3 carros. Um Land Rover, um Mitsubichi e um Toyota, todos utilitários.
Acho um saco a minha vida. Terminei com meu namorado havia 1 ano. Ele agora é famoso na TV.
Meus pais não dão a mínima pra mim. Fico o dia todo na frente do meu laptop. E o pior são meus dois seguranças, que têm que andar comigo toda hora.
E ainda tenho que arrumar um emprego.

M. Silva de Jesus, 23 anos.

Meus pais são nordestinos.
Vieram aqui pra São Paulo de pau-de-arara.
Nasci na capital e tenho 6 irmãos.
Sou a mais velha.
Tenho primeiro grau completo.
Precisava trabalhar pra ajudar meus pais a sustentar meus irmãos mais novos.
Acordo todo dia 4 horas da manhã. Pego 3 ônibus até chegar no meu trabalho.
Gasto duas horas e meia. Tenho que chegar no serviço 7 horas da manhã.
Saio às 16 horas e tenho uma hora de almoço.
Sou empregada doméstica.
Trabalho de segunda a sábado.
Ganho um salário mínimo, passe de ônibus e almoço na casa da patroa, no dia que trabalho.
Moro na zona leste.
Chego em casa quase na hora da novela das 7.
Ajudo meus pais a fazer a janta.
A minha casa tem dois cômodos. Um de 5×4, laje; e o banheiro, 1,5×2.
Não tem telhado.
Temos uma TV da sharp, de madeira, comprada em 1981.
Um fogão de duas bocas e uma geladeira antiga.
Tenho um filho de 6 anos.
O pai não quis assumir o filho, nem paga pensão pra ele. Nem sei se ele ainda tá vivo.
Durmo exausta, na expectativa de arrumar um emprego com um salário maior e ajudar o meu filho a ter uma educação melhor do que a minha.

Categoria: Cotidiano


2 Comentários

Hã? Nonada, comentado por Priscila

Feito no dia 37 de Burocracia de 3173 YOLD às 6:90:97

Oi Rodrigo vim fazer uma visitinha.
Adorei a enquete de “quem disse a verdade”….rssssssss
E sobre o texto….essa é a nossa realidade!
Bjim.

Hã? Nonada, comentado por Santaum

Feito no dia 37 de Burocracia de 3173 YOLD às 9:19:44

Boa noite Priscila. Obrigado pelo comentário.

Hehehehe, interessante a enquete né? Bom, prometo uma mais difícil depois, hehehe. Eu achei essa bem tranquila.

Quanto ao post, obrigado pela crítica. Bom, eu inventei os dois casos, mas tenho certeza que exitem por aí vários exemplos como esses no noso dia-a-dia.

Grande abraço.

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