O Medo da Felicidade Extrema
Nonada, foi escrito por Santaum no dia 22 de Confusão de 3174 YOLD às 5:00:20

photo credit: Rev. Beraldo
Sempre existe uma sensação de medo quando estamos muito felizes. Parece que existe uma força motriz organizada pelo nosso próprio subconsciente que promove, em nós mesmos, uma sensação oposta desse fenômeno instantâneo e agradável denominado felicidade.
Que coisa absolutamente natural e absolutamente estranha!
Imaginemos que consigamos em algum momento das nossas vidas realizar sonhos. Estes se concretizam. Se tornam realidade. Surge aquela felicidade instantânea. Momentânea. Aquele breve instante prazeroso. Aquela breve sensação de plenitude.
De repente, no auge dessa felicidade, nos deparamos naturalmente com o nosso medo. O medo de perder essa plenitude, de perder essa bela e esporádica sensação momentânea, tão difícil de acontecer no nosso dia-a-dia.
Esse medo decorre de uma complexidade de pensamentos ruins, ataques de ansiedade e de “imaginações completamente imaginárias”. Premeditações. Seria o reconhecimento de que aquele maravilhoso instante presente não iria perdurar pra sempre? Seria a aceitação de que o que é bom dura pouco?
Sempre isso ocorre comigo. Sempre estou buscando meus sonhos. Sempre procuro desequacionar a minha entropia. Desejo que ela permaneça no estado menos estacionário possível, apesar de sempre fugir desse regime transiente e buscar uma estabilidade utópica, ou estabilidade ideal. Por isso que, quando esta chega, ou tende a chegar, já desejo atingir outra, senão não teria sentido a minha vida. É, em outras palavras, a busca de um equilíbrio utópico em instantes reais de não-equlíbrio.
Quando consigo realizar alguns sonhos, naturalmente fico sempre com medo que algo ruim possa acontecer naquele momento. Parece que é uma sensação surreal chegar no ápice de um objetivo traçado com muita dificuldade. De superar um desafio e atingir um norte.
Neste momento de plenitude a figura do medo é estimulada através dessas cargas elétricas sobrepostas no meu corpo, na sua parte superior. Acima do meu pescoço. Cabe a mim apenas reconhecer esse instante natural, mágico, e reconhecer que tal fenômeno é algo inerente à nossa espécie.

photo credit: The unnamed
E que não teria sentido a nossa vida sem os nossos medos, hã? Ainda bem.
Grande abraço a todos.
Publicado originalmente no Nada Pensitivo!.
Categoria: Presque Pensitivo
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Hã? Nonada, comentado por Evandro Cesar
Feito no dia 22 de Confusão de 3174 YOLD às 6:70:87
Nos americanos criados em religiões onde é legal ser feliz e ter sucesso isso não deve ocorrer muito, ou ocorreria? Sempre me pergunto isso…
Parece que eles aceitam com mais naturalidade o fato de estar feliz e sendo bem sucedido no que faz.
Hã? Nonada, comentado por Rev. Beraldo
Feito no dia 22 de Confusão de 3174 YOLD às 7:66:89
Reflete o que eu sinto e um pouco mais nos últimos tempos, mas é algo que estou superando - ou pelo menos é o que tudo indica.
Espero.
Hã? Nonada, comentado por Rev. Peterson Cekemp
Feito no dia 22 de Confusão de 3174 YOLD às 8:19:20
Enfim, é um excelente texto
Hã? Nonada, comentado por Henrique Artur Wint
Feito no dia 22 de Confusão de 3174 YOLD às 8:44:51
Hã? Nonada, comentado por Santaum
Feito no dia 23 de Confusão de 3174 YOLD às 3:48:00
Rev. Beraldo, interessante! Boa sorte. E lembre-se que essas sensações são fantásticas, de autoconhecimento e que lhe dão experiência e maturidade.
Rev. Peterson Então jovem Peterson, como você sabe, as nossas melhores pérolas (inclusive as suas também, hehehehehe) estão lá. Logo, pensei em republicar aqui mensalmente pelo menos um dos textos de lá.
Henrique Artur Wint, eu não considero como um mal necessário. Pelo contrário, considero como uma sensação bem humana, natural e de muito autoconhecimento. Não necessariamente seria uma perda, mas sim o limite. Na termodinâmica seria o momento em que a entropia atingiria um estado estado estacionário, fazendo aqui uma breve analogia, evidentemente. Daí entrariam as reações psicológicas até surgir um novo norte, ou seja, até atingir um novo estado estacionário acima daquele em que está.
Grande abraço a todos.
Hã? Nonada, comentado por Darto"
Feito no dia 24 de Confusão de 3174 YOLD às 7:77:45
Numa escala mais usual, essa busca pela perfeição é a busca por uma situação melhor. A busca pela felicidade. Mas esta é relativa, e nos acomodamos com ela, e buscamos mais dela. Algumas vezes, retrocedemos, isso acontece. Temos medo disso. O medo, então, surgiu pela nossa consciência de que temos que continuar lutando, e isso pode doer às vezes, e classificamos essa dor como negativa, numa análise superficial. Mas como definiríamos o que é bom sem conhecermos o que é ruim? Então, analisando mais profundamente, definimos que o ruim é bom, assim como o bom; que a dor é boa, assim como o prazer; e que a luta, resultado da contínua combinação da felicidade e decepção, é melhor ainda.
A única coisa que me dá medo é o fim=nada. Mas o nada talvez seja o tudo, completamente estagnado e equilibrado. Assim, não há medo.
PS limite com x tendendo a mais infinito de [7x(^^5)-6]/[4x(^^2)-2x+4]: Acho que o que você disse, Santaum, foi exatamente aquilo que o Wint disse.
Abraço!!!!!
Hã? Nonada, comentado por Santaum
Feito no dia 24 de Confusão de 3174 YOLD às 9:22:99
Quanto ao PS, não vou resolver essa integral, hehehehehe. Bom, quanto ao PS, eu vou ainda tentar argumentar o que eu propus no texto. Eu não enxergo esses limites como um mal necessário muito menos como uma perda. Porque simplesmente não vejo lado negativo nisso, como você percebeu, hehehehehe. Ou seja, o limite atingido pode trazer um medo não pelo fato de ter perdido algo, mas um medo por ter já atingido algo. Entra a pergunta clássica: “E agora?”. O medo entra nesse sentido. Cabe a cada um procurar um novo limite que seja maior que aquele em que está. No texto fiz uma analogia com a entropia, que sempre aumenta e atinge o estado estacionário. Aumenta e atinge o estado estacionário. Podemos, analogamente, imaginarmos o limite e felicidade extrema em cada estado estacionário e a busca do próximo limite quando a entropia está aumentando. Então, desse modo, o que eu disse não necessariamente seria uma perda, mas a tentativa de busca para um novo limite, uma nova felicidade.
Grande abraço.
Hã? Nonada, comentado por Darto"
Feito no dia 26 de Confusão de 3174 YOLD às 0:04:28
PS integral de 0 a pi de senxdx/(cosx)^^(1/5) : do meu ponto de vista, essa é uma abordagem mais profunda daquilo que o Wint disse.
De qualquer modo, quando se está conversando pela primeira vez com uma pessoa sobre o caso e não há tempo para prolongar o assunto, é possível que você escolha exprimir seu pensamento dizendo que aquele é um mal necessário. Me parece natural que quando[se] a pessoa refletir sobre essa afirmação, depois, será bem possível que ela chegue nessa conclusão[de que aquele mal não é nada mal, que talvez digamos assim por preguiça de expressar tudo que há para ser expresso, e que as outras pessoas perceberão isso cedo ou tarde]. Talvez elas não consigam exprimir isso com fluência, talvez escolham não fazê-lo, ou talvez nem saibam que chegaram nessa conclusão, hehehehehe
Pensando bem, acho que tudo isso me parece natural só porque eu li seu texto, o comentário do Wint e a sua resposta. Estes me convenceram tanto[e depois de toda a reflexão, me pareceram tão conectados, relacionados, "semelhantes por A+B"] que não vejo a possibilidades de outras pessoas terem uma visão diferente.
Desculpe se isso ficou confuso…..eu não consigo exprimir satisfatoriamente o que ocorreu.
Muito obrigado mais uma vez!
Abraço!!!!!
Hã? Nonada, comentado por Santaum
Feito no dia 26 de Confusão de 3174 YOLD às 3:98:92
Perfeito. Essa foi a mensagem do texto.
Grande abraço.
Hã? Nonada, comentado por Malu
Feito no dia 48 de Confusão de 3174 YOLD às 8:07:93
Mas aprendi que a vida é assim, e com a dor evoluímos, também aprendi que atraímos tudo que pensamos. Hoje quando acontecem coisas muito boas, não tenho mais esse medo, apenas agradeço muito à Deus e peço que continue me dando esses “presentes” maravilhosos! Também sinto a mesma alegria quando vejo que alguém que lutou muito para conseguir algo chega à esse estado de plenitude e até choro de felicidade, e assim, emitindo sempre bons pensamentos, e confiando sempre plenamente em Deus me livrei desse medo bobo que não me acrescenta nada.
Hã? Nonada, comentado por Santaum
Feito no dia 48 de Confusão de 3174 YOLD às 9:75:44
Interessante expressar aqui o que sente nesses momentos. Pelo que falou, você aprecia todos os momentos, sejam eles bons ou ruins, e isso é fantástico! Que continue assim!!!!!
Grande abraço.




