santaum.org » O Paradoxo de Simpsons!
 Imagem aleatória... Atualize para ver mais!

O Paradoxo de Simpsons!

Nonada, foi escrito por Peterson Espaçoporto no dia 19 de Pós-matemática de 3174 YOLD às 5:23:31



Cultura
Creative Commons License photo credit: Rev. Beraldo

Estava eu perambulando pela Wikipédia quando vi algo interessante, e repentinamente “achei” meu primeiro post na série “Leitores S.A.” deste blog =)

O Paradoxo de Simpsons parece vir do desenho animado - mas não, na verdade não tem nada (ou quem sabe?) a ver com os Simpsons - tanto que outro nome dado a ele é o Efeito Yule-Simpson.

Todos nós, leitores deste blog, sabemos que um olhar superficial sobre as coisas pode muitas vezes levar a conclusões erradas. Sobre essa questão de lógica todos os dias temos muitas oportunidades de desfazer falácias de causalidade - uma das piores por sua variável sutileza e difícil aceitação por parte de alguns. Hume, filósofo que gera controvérsia em meus gostos filosóficos, fez um bom trabalho mostrando um grande problema com a indução e dedução. Mas há ainda outros fatores a se considerar quando se quer estabelecer uma relação causal.

O Paradoxo de Simpson é um paradoxo estatístico onde o ’sucesso’ de A sobre B em intervalos de tempo sucessivos, considerados individualmente, pode ser na verdade revertido quando os intervalos são considerados conjuntamente.

Ou seja: vamos pegar o caso das médias de rebatidas em jogos de Baseball. Em 1995, David Justice rebateu 25,3% das bolas, enquanto Derek Jeter rebateu 25%. Ou seja, Justice vence. Em 96, Justice rebateu 32,1%, enquanto Derek rebateu 31,4%. Ou seja, novamente, vitória de Justice.

Mas, se você considera os dois anos, 95 e 96, você observa que Jeter rebateu 31% enquanto Justice rebateu 27%. Ou seja, Jeter vence!!!

Interessante, não? Para os que já estão mais ou menos no mundo da estatística isso pode não ser novidade - a Wikipédia avisa que muitos livros introdutórios de estatística incluem isso. Mas ainda assim, isso não é muito conhecido pelos leigos.

Um outro exemplo que evidencia como isso pode originar falácias de causalidade que, enfim, sabe-se lá como podem acabar, e que mostra outro “jeito” como essa questão de “grupos isolados” e “grupos considerados conuntamente” funciona, só que de modo reverso:

Em 2006, a Universidade de Berkeley, na Califórnia, foi processada por preconceito contra mulheres “tentando a graduação” (como o sistema nos Estados Unidos é diferente do daqui não sei exatamente o que isso significa, não tenho como traduzir, pois. Pelo que vi é mais ou menos como o doutorado por aqui). As estatísticas de “admissão” no ano de 1973 mostraram que 44% dos homens conseguiam, enquanto 35% das mulheres conseguiam - sendo assim “descartada” hipótese de coincidência.

Entretanto, quando os “departamentos” foram avaliados separadamente, viu-se que isso não ocorria. Na verdade… Havia um pequeno preconceito contra os homens.

A explicação foi simples: Mulheres tendiam a tentar uma vaga em departamentos mais competitivos, com taxas de admissão menores até mesmo para alunos qualificados. Já os homens tendiam a procurar vagas em departamentos menos competitivos, com taxas de admissão maiores para alunos mais qualificados.

Ou seja, é incrível avaliar as conseqüências disso. Será que podemos verificar isso no dia-a-dia? E quanto às conseqüências filosóficas? Se poderíamos considerar a matemática um padrao, se não confiável, pelo menos mais objetivo, para ver “quem foi o melhor” (como no caso dos rebatedores) isso cai por terra, afinal, temos que considerar qual ponto de vista? Os dois anos juntos ou os anos separados? Aí é possível dizer “Bom, depende se você estiver considerando quem foi melhor no ano ou nos dois anos”. Mas e essa flutuação ocorrer também em bimestres? É melhor quem mais vezes foi melhor ou quem em geral foi melhor? Eu tendo a aceitar que é melhor quem foi melhor “no geral”, mas realmente não vejo uma explicação clara para que possamos abandonar a alternativa. E no caso dos dois anos, a mesma coisa: quem foi durante dois anos consecutivos o melhor não seria o melhor jogador em dois anos?

Enfim, interessante, hum?

Paradoxo de Simpson na Wikipédia (em inglês, que isso nem tem em português lá)

Categoria: Discordianismo


12 Comentários

Hã? Nonada, comentado por Darto"No Gravatar

Feito no dia 20 de Pós-matemática de 3174 YOLD às 0:48:31

Ótimo texto, caro Peterson!
Essa mudança de probabilidades acontece por variação do espaço amostral, não é?

Hã? Nonada, comentado por SantaumNo Gravatar

Feito no dia 20 de Pós-matemática de 3174 YOLD às 4:19:71

Eu sabia dessa aplicação mas não a associava com o nome paradoxo de Simpson.

Estatística é interessantíssima e me lembrou um erro clássico que cometi quando quis fazer as somas individuais das médias de várias amostras e dividir pelo número de amostras para achar a média global. Evidentemente que esse cálculo é equivocado, pois a média global é diferente da soma das médias individuais.

Realmente, ótimo texto mesmo caro Peterson!!!!!

Grande abraço.

Hã? Nonada, comentado por Peterson EspaçoportoNo Gravatar

Feito no dia 21 de Pós-matemática de 3174 YOLD às 0:10:02

Darto:
Obrigado! =D E não sei ao certo cara, pode-se dizer que sim. Verificar amostras individualmente / verificar em grupo, seria isso variação do espaço amostral? =S

Santaum: Obrigado! =D Você já caiu nesse erro? Eu não uso tanto a estatística - no sentido de “trabalhar” com ela, então nunca me peguei num erro desse tipo. Será que todo mundo um dia já caiu nele?

Hã? Nonada, comentado por SantaumNo Gravatar

Feito no dia 21 de Pós-matemática de 3174 YOLD às 4:62:71

Sim, já caí nesse erro. Só na prática me toquei que havia essa diferença. Depois na estatística observei na teoria, hehehehehe. Acontece, hehehehehe.

Sobre sua última pergunta, acho meio difícil, mas não foram poucas que depararam com uma situação parecida não.

Grande abraço.

Hã? Nonada, comentado por Everaldo GuimarãesNo Gravatar

Feito no dia 21 de Pós-matemática de 3174 YOLD às 5:36:82

Caramba. De iniico achei que iria falar do desenho animado mesmo. Mas essa teoria e bem legal. Gostei.

Hã? Nonada, comentado por SantaumNo Gravatar

Feito no dia 22 de Pós-matemática de 3174 YOLD às 5:07:69

Verdade Everaldo! Quando li o título pensei na mesma coisa. Bela sacada do Peterson para chamar a atenção da leitura.

Hã? Nonada, comentado por Peterson EspaçoportoNo Gravatar

Feito no dia 22 de Pós-matemática de 3174 YOLD às 7:10:59

Actually, não foi bem uma sacada no sentido… intencional… hEAhAEhaeheAheAheAH é só o título mais óbvio, o primeiro que me veio à cabeça =)

Hã? Nonada, comentado por SantaumNo Gravatar

Feito no dia 25 de Pós-matemática de 3174 YOLD às 6:66:68

Hehehehehe…..

Hã? Nonada, comentado por Darto"No Gravatar

Feito no dia 25 de Pós-matemática de 3174 YOLD às 9:04:49

Sim, grande Peterson, é uma variação do espaço amostral, pois o número total de “possíveis rebatidas” se altera[soma], e nesse caso esse é o espaço amostral. Talvez o paradoxo se instale porque a variação dos sucessos nas rebatidas não varie na mesma proporção das rebatidas possíveis. Sei lá.
E metendo o bedelho na sua discussão com o Santaum, creio que esse paradoxo esteja presente em toda avaliação estatística, o que possibilitaria dizer que todo mundo que analisa algo estatisticamente comete erro. Isso porque geralmente podemos subdividir o espaço amostral[acho que isso causaria o erro no "sentido inverso"], e quase sempre é possível aumentá-lo[provocando o erro como descrito anteriormente]. Não sei se fui claro.
Agora quero conversar com minha professora de estatística ahuehuaheuaheuaheuhau
Abraço!

Hã? Nonada, comentado por Evandro CesarNo Gravatar

Feito no dia 28 de Pós-matemática de 3174 YOLD às 5:85:60

Não sabia disso, tô apavorado agora com as pesquisas que o governo Lula fica mostrando por aí :p

Hã? Nonada, comentado por SantaumNo Gravatar

Feito no dia 28 de Pós-matemática de 3174 YOLD às 6:26:84

Hahahahaha….. (5 ha’s e 5 pontos)

Hã? Nonada, comentado por Peterson EspaçoportoNo Gravatar

Feito no dia 29 de Pós-matemática de 3174 YOLD às 4:85:38

ehaEHHAEAEHhAEheAhAEhAEheA
Caceeete Evandro, GRANDE exemplo!!!! Como foi que não falei disso? Estatísticas mostradas por políticos podem conter muitos desses erros!!!!!

Faça já o seu comentário!
Preferencialmente, leia a nossa política de comentários.



www.flickr.com